terça-feira, 21 de agosto de 2012

“E, quando ela me perguntou se tudo estava bem, eu quis gritar que não. Mas então ela iria perguntar o porquê. Como eu ia dizer “por sua causa”? Imaginei o quanto os olhos dela se encheriam de ressentimento. Ela perderia a fala. Ela iria se odiar por alguns instantes, só que mesmo assim, eu não queria a ver olhando pra mim e repugnando a si mesma. Eu não queria ser a culpada por ela se afastar de mim com o pretexto de que me faz mal. Eu não queria demonstrar a minha fraqueza, demonstrar que, o motivo daquelas minhas lágrimas, que eu sempre disse serem coisas passageiras, era ela. Como dizer que a causa do meu sofrimento era ela? Como explicar pra mulher da minha vida que eu, várias vezes, chorei por causa dela? Como relatar que há dias eu venho guardando mágoas, coletando dores e escondendo cicatrizes dentro de mim por causa dela? Eu não consegui visualizar-me explicando tantos fatos, tentando dizer o que vinha acontecendo realmente. Eu não quis nem imaginar o que poderia acontecer após a verdade ser exposta. E foi por isso que, quando ela perguntou se tudo estava bem, eu simplesmente respondi que sim. ”

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